O que ele disse

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“Paraenses,
ainda que eu deseje o contrário, tudo leva a crer que, seja qual for o
resultado do plebiscito, o dia seguinte será marcado por mágoas,
ressentimentos e desconfianças que podem se tornar duradouras,
considerando que, diferentemente das eleições regulares que se renovam a
cada quatro anos, o plebiscito terá caráter muito mais efetivo e
permanente. E aí cabe perguntar: quem vai cuidar das feridas? E dos
ressentimentos? Como evitar que eles se enraízem nos corações e mentes
da nossa gente?

[…]
“Assim, não
posso deixar de registrar a minha preocupação diante dos rumos da
campanha, particularmente na televisão, onde salta aos olhos que o “vale
tudo” está em marcha. Falo, exemplificando, do esforço de tentarem
destruir a autoestima do paraense e mostrar, como alternativa, que a
simples divisão, automaticamente, trará ganhos financeiros aos três
estados.

Ora, com todo o respeito que possa ter pelos que fazem tal
afirmação, ela não tem qualquer fundamento técnico, como pretendem seus
defensores. Pelo contrário. Se quanto à elevação das despesas a criação
de novos estados não deixa dúvidas, quanto às receitas, pelo menos
atualmente, qualquer prognóstico se faz sob enorme incerteza.
Especialmente nesse momento que as transferências federais, e em
especial os critérios de distribuição do Fundo de Participação dos
Estados (FPE), até por decisão judicial, devem ser reformulados até o
final de 2012.”

Simão Jatene, governador do Estado (na foto de Cristino Martins/Agência Pará), sobre a proposta de divisão do Pará, o plebiscito e suas consequências.

Extraído do Espaço Aberto

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